Em julho desse ano, eu provocava que você é ou conhece um dentre os milhões de paulistanos que sofrem com a má qualidade do serviço da Enel, no texto ‘A luta contra a Enel em São Paulo’. De lá pra cá essa certeza só se reafirmou: em setembro, vimos uma pipa causar apagão que atingiu 942 mil imóveis e, agora em outubro, mais pessoas estão sem luz em São Paulo do que na Flórida, que foi atingida por um ciclone.
A prefeitura de São Paulo vem liderando a discussão por melhorias no serviço prestado. Em 2020, ainda sob a gestão Bruno Covas, um convênio com a empresa italiana foi assinado com intuito de agilizar podas em árvores em contato com a fiação elétrica, promover algumas adaptações na rede e estabelecer técnicas e regras mais adequadas ao manejo das árvores. Mais recentemente, após as recorrentes crises, o prefeito Ricardo Nunes vem protagonizando um embate público com a concessionária. Chegou a ir até Brasília, no Tribunal de Contas da União, para reclamar do serviço que faz parte de uma concessão federal.
Hoje, mais de 4 mil funcionários municipais foram às ruas para diminuir os estragos da última sexta-feira, ao passo que a Enel cortou quase 40% do quadro de funcionários entre 2019 e 2023.
O que parece é que a energia que sobra ao prefeito Ricardo Nunes para defender os paulistanos falta à agência reguladora para cobrar a execução do contrato da Enel.
Por isso, defendo que São Paulo tenha um ente com poder e autonomia para fiscalizar o serviço prestado pela empresa de abastecimento de energia, que dialogue sobre a estruturação da cidade no presente e no projeto de futuro, com a renovação da matriz energética e o aumento dos veículos elétricos.
É preciso exigir mais respeito e um serviço digno para todos, como já deveria ocorrer. É isso que São Paulo merece!